Neste silêncio aparecido

Não existes comigo.


Minhas emoções vivem de tristeza,

Meu pensamento escasso em palavras.


Numa lágrima as minhas preces,

Com o meu toque me arrefeces.


1-3-26

O dia amanheceu cinzento,

Vou ter horas de brandura.

Que a chuva acame o meu nervo

Numa dança de ternura.


No princípio desta estrada sou um só,

Eu e os meus pensamentos

De emoções mais distantes.

Avante.


2-3-26

Se eu juntar as tuas fotos

Num cachecol em torno meu

Terá ele um pouco apenas

Desse cheiro que é só teu?


As palavras que aqui junto

No sopé de uma montanha,

Tem relevo o sonho seu

Ou será um beijo meu?


3-3-26

Escrevo no vazio do tempo

No conforto de uma alma

Espremida, mas não esgotada.


No silêncio do vazio eu estou bem só.

Procuro a força

Que recupere a matéria.


A vibração de som do diapasão 

Faz da lagarta o tufão

Qual futuro sem senão.


Sem contradição.


3-3-26

Quero ser nada

Porque pouco eu já o sou.


Quero reduzir-me ao vento,

Ir por onde as correntes me enviam.


Quero ser inerte,

Sereno na profunda calmaria.


Apenas porque quero dar

O que recebo através de mim.

Se um pedido tenho a fazer

É ser natural, e apenas transformar.


4-3-26

Só posso existir.

Este mar daqui não tem destino,

Ele ruma ao desconhecido.


Não posso querer direção,

Apenas posso existir

Nesta nossa condição.


5-3-26

Tão forte foi o vento esta madrugada 

Só não te trouxe para junto de mim.


Tão bela e longa foi a história 

Que me deixou às portas de ti.


6-3-26

As palavras já não chegam,

Senão a música a vibrar entre nós.


7-3-26